eu, você e todos nós

Vamos fazer um acordo? Quando um filme de amor nos tocar além do coração, vamos pedir um pôster dele pra sempre? E se ele falar a verdade que nunca aceitamos ouvir, vamos olhar para a pessoa que mais amamos e dizer que sempre amaremos ela? Pode ser um filho, um irmão, esposa, avô, quem quer que seja. É claro que não precisamos de um mero filme para tomar certas atitudes, mas às vezes eles são ótimos pontos de partida, e por que não dizer, fábrica de idéias. A norte-americana Miranda July sempre foi uma artista multimídia, promovendo manifestações que estão muito além do que vemos aqui no Brasil, e divulgando sempre a máxima: o Amor. “Eu, Você e Todos Nós” é o primeiro longa metragem de Miranda July, e é daqueles filmes que você olha a capa e acha que vai ser mais um previsível e com final feliz. Com uma câmera de vídeo amadora, Christine Jesperson (July) cria histórias de amor focando alguma fotografia de casais anônimos. Histórias estas, que talvez seriam as que ela gostaria de viver, porém repassa seu sentimento à uma simples imagem. Uma simples imagem, mas que para ela pode se tornar um sonho, ou uma vida. Ao conhecer Richard (John Hawkes), ela passa a reconhecer o amor-próprio, do jeito dela, divertido e cativante. O filme é marcado pela expressão, e muitas cenas são conduzidas apenas pelos olhares. É o jeito Miranda de fazer arte: tímida, solitária e observadora. É um selo do mundo moderno. Há cenas muito marcantes, e que com certeza deixarão o espectador intrigado por meses, como a que o menino Robby (Brandon Rafcliff) descobre de onde vinha o barulho misterioso que ninguém dava atenção. E ele mesmo protagoniza um dos melhores momentos do Cinema atual: a cena do chat erótico. No site de Miranda July, há diversos links para vídeos que ela realiza frequentemente, e que para ela própria não tem interesse comercial. Então, acesse o site, emocione-se e deixe Miranda entrar com os dois pés (Me & You) na sua vida.