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wim wenders e aprendenders

foto: thiago piccoli

O que esperar de alguém nascido em uma cidade tão pertinente ao
imaginário cinéfilo? Wim Wenders nada tem a ver com aquele “vampiro”
retratado por Fritz Lang em 1931, mas parece que das esquinas
arruinadas pela II Guerra ele respirou algum pó. Ele é sarcástico,
otimista em relação ao futuro do Cinema, devagar como seus filmes e
muito antenado. Apreciador do café e defensor fiel do filme de autor,
Wenders veio ao Rio Grande do Sul semana passada e palestrou no evento
Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem, onde falou sobre escolas de
arte, críticas cinematográficas e ainda ganhou uma camisa do
Internacional com seu nome. Wenders é fã de futebol, e disse ser
torcedor do Fortuna Dusseldorf, time com as mesmas cores do Inter. “10
é um número bom”.

E 10 é o mínimo de nota que pode-se dar a seus filmes. Para ele, é 9.
Dono de uma inquietação inspiradora, o alemão não se acha perfeito e
nem o quer ser, e muito menos quer que falem que ele é. Pois é com as
críticas que Wenders menos se preocupa. Admite que não as lê quando
lança algum filme pois, quando um ser humano lê críticas positivas se
sente superior, e quando lê críticas negativas, desanima. Ele prefere
ouvir sua própria voz, e repassa esta tranquilidade a seus alunos da
Hochschule für Bildende Künste (Escola Superior de Artes Plásticas) em
Hamburgo. “Algumas escolas de Cinema ensinam uma receita de sucesso
aos futuros cineastas, ameaçando-os de que, se não seguirem aquela
receita, seus filmes não farão sucesso. Na minha aula, digo para meus
alunos ouvirem a voz de dentro de si, e depois, apenas dou os recursos
para que façam o que quiserem. Talvez nem queiram ser cineastas”.
Wenders também incentiva a utilização de novos recursos no Cinema,
pois possibilita cineastas de baixo orçamento exporem suas idéias.
Principalmente os documentaristas: “O digital é ideal para toda uma
nova geração de documentaristas”, defende.

Sobre o Brasil, Wenders é perguntado se assistiu ‘Tropa de Elite’.
Rapidamente ele responde: “Nunca ouvi falar”. Em contrapartida,
lembrou que conheceu pessoalmente Glauber Rocha, é fã de “Terra em
Transe” e gosta de todos os filmes de Walter Salles e Fernando
Meirelles.

Nós, brasileiros, nos superestimamos demais, e realmente, a negativa
de Wenders em relação à Tropa é um sinal do nosso pleno deslumbre
cinematográfico. Até li em uma revista nacional esta semana: ‘NY
aplaude Cinema brasileiro’. Daí, vem a linha de apoio, em arial 10:
‘Maria Rita e elenco do filme Os Desafinados…’ É assim que vêem
nosso “Cinema”: um carrossel de abobrinhas tropicais. Pelo menos Wim
Wenders conhece Walter Salles, e brinca que só toma conhecimento das
críticas brasileiras quando Salles as lê para ele, pois ele
assumidamente não entende nada de português.

E o mestre não pára. Este ano, prevê o lançamento de ‘The Palermo
Shooting’, filme que mostra em tom de humor negro a história de um
fotógrafo que é seguido pela morte personificada, após ela descobrir
ter sido fotografada por ele. O alemão explica que a maioria de seus
filmes tem caráter road movie, pois ele sempre demonstrou uma vontade
imensa de conhecer as pessoas do mundo. “Minha profissão é viajar. Às
vezes brinco de fotógrafo e cineasta”, satiriza. “E também o tema da
morte é engraçado. As pessoas assistem filmes onde morrem pessoas por
todos os lados mas, quando se fala sobre a morte, quando se expõe o
tema ‘morte’, as pessoas ficam chocadas e detestam o filme”.

Viva Fellini, Viva Godard, Vivre Sa Vie, Viva Wenders!

Agosto 20, 2008 - Publicado por titi | festival de gramado, porto alegre, wim wenders | | 1 Comentário

1 Comentário »

  1. u lalalala :)

    genial =)

    acho que tenho que estudar em hamburgo mesmo.
    bom…

    que legal que tu falou com ele! tenho ciumes, mesmo…

    bom,
    beijos,
    saudades,
    abracos!!!
    (assim tbm para sua mae)

    Comment por lena | Agosto 26, 2008 | Responder


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