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david lynch transcendental

foto: thiago piccoli

Conhecer David Lynch foi tri legal, mas falar sobre meditação transcendental não é minha praia.

Agosto 20, 2008 Publicado por titi | david lynch, porto alegre | | Sem comentários ainda

wim wenders e aprendenders

foto: thiago piccoli

O que esperar de alguém nascido em uma cidade tão pertinente ao
imaginário cinéfilo? Wim Wenders nada tem a ver com aquele “vampiro”
retratado por Fritz Lang em 1931, mas parece que das esquinas
arruinadas pela II Guerra ele respirou algum pó. Ele é sarcástico,
otimista em relação ao futuro do Cinema, devagar como seus filmes e
muito antenado. Apreciador do café e defensor fiel do filme de autor,
Wenders veio ao Rio Grande do Sul semana passada e palestrou no evento
Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem, onde falou sobre escolas de
arte, críticas cinematográficas e ainda ganhou uma camisa do
Internacional com seu nome. Wenders é fã de futebol, e disse ser
torcedor do Fortuna Dusseldorf, time com as mesmas cores do Inter. “10
é um número bom”.

E 10 é o mínimo de nota que pode-se dar a seus filmes. Para ele, é 9.
Dono de uma inquietação inspiradora, o alemão não se acha perfeito e
nem o quer ser, e muito menos quer que falem que ele é. Pois é com as
críticas que Wenders menos se preocupa. Admite que não as lê quando
lança algum filme pois, quando um ser humano lê críticas positivas se
sente superior, e quando lê críticas negativas, desanima. Ele prefere
ouvir sua própria voz, e repassa esta tranquilidade a seus alunos da
Hochschule für Bildende Künste (Escola Superior de Artes Plásticas) em
Hamburgo. “Algumas escolas de Cinema ensinam uma receita de sucesso
aos futuros cineastas, ameaçando-os de que, se não seguirem aquela
receita, seus filmes não farão sucesso. Na minha aula, digo para meus
alunos ouvirem a voz de dentro de si, e depois, apenas dou os recursos
para que façam o que quiserem. Talvez nem queiram ser cineastas”.
Wenders também incentiva a utilização de novos recursos no Cinema,
pois possibilita cineastas de baixo orçamento exporem suas idéias.
Principalmente os documentaristas: “O digital é ideal para toda uma
nova geração de documentaristas”, defende.

Sobre o Brasil, Wenders é perguntado se assistiu ‘Tropa de Elite’.
Rapidamente ele responde: “Nunca ouvi falar”. Em contrapartida,
lembrou que conheceu pessoalmente Glauber Rocha, é fã de “Terra em
Transe” e gosta de todos os filmes de Walter Salles e Fernando
Meirelles.

Nós, brasileiros, nos superestimamos demais, e realmente, a negativa
de Wenders em relação à Tropa é um sinal do nosso pleno deslumbre
cinematográfico. Até li em uma revista nacional esta semana: ‘NY
aplaude Cinema brasileiro’. Daí, vem a linha de apoio, em arial 10:
‘Maria Rita e elenco do filme Os Desafinados…’ É assim que vêem
nosso “Cinema”: um carrossel de abobrinhas tropicais. Pelo menos Wim
Wenders conhece Walter Salles, e brinca que só toma conhecimento das
críticas brasileiras quando Salles as lê para ele, pois ele
assumidamente não entende nada de português.

E o mestre não pára. Este ano, prevê o lançamento de ‘The Palermo
Shooting’, filme que mostra em tom de humor negro a história de um
fotógrafo que é seguido pela morte personificada, após ela descobrir
ter sido fotografada por ele. O alemão explica que a maioria de seus
filmes tem caráter road movie, pois ele sempre demonstrou uma vontade
imensa de conhecer as pessoas do mundo. “Minha profissão é viajar. Às
vezes brinco de fotógrafo e cineasta”, satiriza. “E também o tema da
morte é engraçado. As pessoas assistem filmes onde morrem pessoas por
todos os lados mas, quando se fala sobre a morte, quando se expõe o
tema ‘morte’, as pessoas ficam chocadas e detestam o filme”.

Viva Fellini, Viva Godard, Vivre Sa Vie, Viva Wenders!

Agosto 20, 2008 Publicado por titi | festival de gramado, porto alegre, wim wenders | | 1 Comentário