bob dylan em punta del este

Punta del Este amanheceu quente em 20 de Março, com um vento gelado. Nas ruas a paisagem estava modificada pela presença de mockers que se esparramavam pelas calçadas aguardando a hora do show. No hotel onde Dylan estava hospedado, tudo estava tranquilo, algumas vans estacionadas, passarinhos cantando e recepção vazia. Poucos indícios de que naquela noite haveria um grande concerto de blues naquele pequeno balneário, e o responsável seria ninguém menos que o pai do folk e aquele que apresentou as drogas aos Beatles. Dylan tem se preocupado muito com a imagem: nada de câmeras, nada de visitas, nada de autógrafos e cartazes somente com fotos da década de 60 e 70. Sorte nossa que ele ainda se preocupa com a música. Embora tenha perdido a voz em algum bar por aí, ele mostrou muita vitalidade e um sangue doce dopado de country-blues-folk, inseparáveis nas duas horas de show. Ele não poupou canções antigas como “Rainy Day Women #12 e 35″, “Hard Rain´s A Gonna Fall” e a mais cantada pelo público “Like a Rolling Stone”, como também músicas mais recentes como a vencedora do Grammy “Love Sick”, de 1997. Dylan sorria e dançava muito apoiado no seu pianinho. Tocou guitarra apenas nas três primeiras músicas: “Cat´s In The Well”, “Lay, Lady, Lay” e “Watching The River Flow”. O ponto alto da noite, e também o momento que enlouqueceu os seguranças do Conrad, foi “Highway 61 Revisited”, onde a platéia não se segurou, jogou as cadeiras pro alto e fez da pista um grande salão de dança, apertando os sapatos, dançando blues e gritando “Olê Olê Olê Dylan!! Dylan!!”. Claro que, educadamente, compreendidas as restrições do Hotel Conrad, a platéia se divertiu muito, em um show muito confortável, baratíssimo (US$ 33 – enquanto no Brasil variou entre R$ 400 e R$ 900) e sem tumulto nenhum. Coisas que dificilmente se vê aqui no Brasil. Obrigado aos vizinhos uruguaios por manterem viva a alma da música, encarnada sob o chapéu tipo Bob Dylan.
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